Hoje com 49 anos, Steve Carter viveu uma das histórias mais incomuns envolvendo testes de DNA. Adotado aos 4 anos, ele descobriu aos 35 que sua verdadeira identidade havia sido escondida desde a infância e que, na realidade, era um bebê desaparecido desde 1977.
A descoberta aconteceu de forma inesperada. Depois de assistir a uma reportagem sobre uma pessoa que havia solucionado o próprio desaparecimento, Carter decidiu acessar o site do Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC), nos Estados Unidos. Curioso, pesquisou casos registrados no Havaí, onde nasceu.
Foi então que encontrou a projeção de idade de um bebê chamado Marx Panama Moriarty Barnes. A imagem era tão parecida com ele que a reação foi imediata. “Foi como olhar para um espelho. Fiquei arrepiado”, contou em entrevista à ABC News.
Mesmo sem acreditar totalmente na coincidência, ele procurou a polícia de Honolulu. As autoridades solicitaram um exame de DNA que confirmou a suspeita: Steve Carter era, na verdade, Marx Panama Moriarty Barnes, desaparecido desde os primeiros meses de vida.
As investigações revelaram que, quando tinha cerca de seis meses, sua mãe biológica deixou a casa onde vivia com o pai do menino e foi localizada dias depois em Honolulu. Durante o atendimento, ela forneceu nomes falsos para si e para o bebê, além de uma data de nascimento diferente da verdadeira. Com isso, a criança acabou registrada sob outra identidade e nunca foi relacionada ao caso do bebê desaparecido.
Steve permaneceu sob os cuidados do Estado até os 4 anos, quando foi adotado por Steve e Pat Carter. Eles lhe deram um novo nome e o criaram sem saber que o menino era procurado havia anos. Durante a vida, algumas inconsistências nos documentos, como a emissão tardia da certidão de nascimento, despertavam dúvidas, mas nunca haviam sido esclarecidas.
Após a confirmação do DNA, Carter conseguiu conhecer o pai biológico e parte da família. Já sua mãe nunca mais foi encontrada. Para ele, a descoberta representou o fim de uma busca que sequer sabia que existia. “Passei a vida inteira sem saber quem eu realmente era. Agora, finalmente, conheço minha história”, afirmou.
O caso ganhou repercussão internacional por um motivo raro: Steve Carter é uma das poucas pessoas conhecidas que conseguiram solucionar o próprio caso de desaparecimento ao reconhecer o próprio rosto em uma imagem de progressão de idade divulgada na internet.
A reportagem é de Fernanda Varela / Correio


