Esporte

Fábio Mota abre o jogo sobre impacto do fim das bets no Vitória: “Foi uma bomba”

Diante da perda das receitas de patrocínio, Fábio Mota até citou a necessidade de negociar jogadores como uma alternativa para gerar recursos ao Vitória

Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

A medida provisória publicada pelo Governo Federal na última sexta-feira (25), que proíbe a publicidade de apostas esportivas, afetou imediatamente o Vitória, um dos 14 clubes da Série A que mantinham contratos com empresas do setor. No mesmo dia, o Leão foi notificado pela 7K, empresa que ocupava o espaço de patrocinadora master do clube, sobre o rompimento do contrato, que tinha validade até dezembro de 2027, sem o pagamento de multa rescisória.

Em entrevista ao Bahia Notícias parceiro do Calila na manhã desta terça-feira (29), o presidente do Vitória, Fábio Mota, citou as consequências financeiras da perda do aporte do patrocinador, anunciado como o maior da história do clube. O dirigente também criticou a forma como a medida provisória entrou em vigor, sem um período de transição adequado e sem obrigar as empresas a cumprirem as multas previstas nos contratos em caso de rescisão.

“Foi uma bomba. Na sexta-feira, as bets rescindiram o contrato e, no dia seguinte, cancelaram sem pagar multa nem rescisão. A 7K pagava mensalmente e nós não recebemos nada. As placas de publicidade que aparecem nas transmissões também vão deixar de pagar. Se você somar o que perdemos neste ano, entre placas e bets, são R$ 9 milhões. No ano que vem, como ainda temos contrato, teria um acréscimo e iria para R$ 45 milhões”, afirmou.

O acordo entre Vitória e 7K havia sido anunciado em janeiro de 2025, após o Leão substituir outra casa de aposta como patrocinadora master. Segundo o presidente do Vitória, a medida poderia ter estabelecido um prazo para que as empresas cumprissem os contratos ou para que os clubes buscassem novos patrocinadores.

“Da forma como saiu a medida provisória, as bets cancelaram os contratos sem pagar multa nem rescisão. Em três meses, você conseguiria fazer uma transição ou estabelecer a obrigação de as bets cumprirem os contratos até o final. Você dormiu com o dinheiro e com as contas e, de repente, acorda com as contas e sem o dinheiro. Agora afeta todo um planejamento e tem consequências em outros acordos do clube”, declarou.

E AGORA?

Entre as consequências citadas pelo dirigente estão os R$ 15 milhões que o Vitória ainda tem a receber do Grêmio pela venda de Wagner Leonardo, além de compromissos financeiros relacionados ao Programa de Retomada e Equilíbrio Fiscal (Perse) e ao Certificado de Regularidade do Nacional de Desporto (CRND), cuja inadimplência pode acarretar transfer ban para os clubes.

“Se você juntar isso com os R$ 15 milhões do Grêmio, é uma bomba até dezembro do ano que vem. Era uma certeza o contrato do Vitória até o final de dezembro de 2027. Quando você planeja, tem as despesas e as receitas. Nós tínhamos uma determinada receita e perdemos isso. Agora, se você deixar de pagar o CRND, toma transfer ban. Se parar de pagar o acordo trabalhista, também tem consequências. Se deixar de pagar o Perse, também”, explicou.

Diante da perda das receitas de patrocínio, Fábio Mota até citou a necessidade de negociar jogadores como uma alternativa para gerar recursos ao Vitória. O presidente apontou Renê, Lucas Arcanjo e Ramon como atletas que possuem mercado e podem facilitar uma eventual negociação.

“Renê, Lucas Arcanjo e Ramon são jogadores que têm mercado, receberam propostas no meio do ano e que podem facilitar uma negociação. Vamos ter que nos adaptar, não tem jeito, mas isso é só a partir do ano que vem”, afirmou.

O presidente afirmou que o Vitória pretende buscar novos parceiros comerciais, mas ressaltou que os valores pagos pelas empresas de apostas eram superiores aos praticados por outros segmentos.

“Nosso plano é tentar cobrir isso com novos patrocinadores, mas ninguém paga o que eles pagavam. Era um mercado que pagava três vezes mais que os outros patrocinadores”, disse.

“NÃO ESTOU FAZENDO POLÍTICA”

Apesar das críticas aos efeitos financeiros da medida, Fábio Mota afirmou que não é contrário à restrição das apostas esportivas e disse considerar prejudicial o impacto das bets sobre a população. Segundo ele, a crítica está relacionada à falta de uma transição para os clubes que possuíam contratos vigentes.

“Eu não estou fazendo política e não estou defendendo as bets. Eu acho que as bets fazem mal à população. O que estou defendendo é que não tenha existido uma transição, ou que a medida provisória obrigasse as bets a cumprir os contratos até o final do ano. Não estou de lado A nem lado B, estou falando o que está acontecendo com o Vitória”, declarou.

Sem entrar em campo desde a derrota por 3 a 1 para o Cruzeiro no último dia 20, o Vitória volta a campo apenas no dia 7 de outubro, uma quarta-feira, às 20h, no Barradão, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. No momento, o Leão ocupa a 13ª colocação, com 33 pontos, quatro a mais que o Grêmio, primeiro time dentro da zona de rebaixamento.