Nem sempre quem está passando por um momento de intenso sofrimento emocional consegue expressar o que sente e pedir ajuda de forma direta. Muitas vezes, os sinais aparecem em mudanças de comportamento, no afastamento das pessoas, na perda de interesse por atividades antes prazerosas ou até em comentários que podem parecer apenas desabafos. Por isso, durante o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, especialistas reforçam a importância de familiares e amigos estarem atentos e disponíveis para ouvir.
Alguns fatores merecem atenção, especialmente quando surgem simultaneamente ou representam uma diferença significativa em relação ao comportamento habitual da pessoa. Entre eles estão o isolamento social, alterações importantes de humor, desinteresse pelas ações cotidianas, sentimentos de desesperança, culpa ou inutilidade e expressões relacionadas à morte ou ao desejo de desaparecer. A afirmação é do psicólogo Baruc Fontes, coordenador do curso de Psicologia da Ages Paripiranga/BA, integrante do maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima.
Frases como “queria dormir e não acordar”, “ninguém sentiria minha falta”, “não aguento mais” ou “seria melhor se eu não estivesse aqui” não devem ser automaticamente interpretadas como chantagem ou necessidade de ser percebido. Segundo o especialista, manifestações verbais desse tipo podem ser pedidos de apoio e precisam ser levadas a sério, bem como recorrer ao suporte de profissionais.
Outro ponto importante é perceber mudanças bruscas na rotina. “Uma pessoa que passa a evitar encontros, deixa de responder mensagens, abandona atividades de que gostava, apresenta alterações no sono ou no apetite ou começa a demonstrar maior desesperança pode estar enfrentando um sofrimento que precisa ser acolhido”, explica o psicólogo. Ele também aponta como indícios despedidas de familiares e amigos e comportamentos relacionados à preparação para uma possível morte.
Mais do que observar, é preciso conversar
Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde tem como tema “Changing the narrative on suicide”, que pode ser traduzido como “Mudando a forma de falar sobre o suicídio”. A proposta é estimular o diálogo sobre o tema, ampliar os espaços de escuta e acolhimento e incentivar a procura por apoio.
Diante de uma mudança marcante no comportamento de uma pessoa, a recomendação é se aproximar. Escolher um momento tranquilo, demonstrar interesse e perguntar como ela está pode abrir espaço para que fale sobre o que está vivendo. Quando há uma preocupação concreta, também é necessário encorajá-la a obter acompanhamento especializado.
“Em uma situação de sofrimento, muitas vezes a pessoa não precisa inicialmente de uma solução, mas de alguém que consiga permanecer ao lado dela e escutá-la sem julgamentos. Perguntar, demonstrar disponibilidade e levar a sério aquilo que está sendo dito são atitudes importantes. Quando existe suspeita de risco, entretanto, família e amigos não precisam, e não devem, tentar resolver tudo sozinhos, mas ajudar essa pessoa a chegar ao atendimento profissional adequado”, orienta Baruc Fontes. Vale lembrar que a Ages oferece atendimento de Psicologia para a população com consultas gratuitas.
Outra questão destacada pelo psicólogo é a importância de evitar frases que minimizem o sofrimento, como “isso é falta do que fazer”, “você precisa ser forte”, “tem gente passando por coisa pior” ou “isso é apenas uma fase”. O acolhimento passa por ouvir, reconhecer a dor e estimular a assistência qualificada.
Saúde mental não cabe em uma bula
Também é importante considerar a tendência de utilizar uma solução exclusivamente medicamentosa para problemas que são influenciados pela rotina, pelo ambiente e pelo estilo de vida. A medicação pode ser necessária e até fundamental em determinados quadros, mas o cuidado com a saúde mental não termina na receita.
“Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade, redução do consumo de álcool e cafeína, momentos de lazer, fortalecimento dos vínculos sociais e estratégias para lidar com o estresse também podem fazer parte de uma abordagem mais ampla de cuidado em saúde”, frisa Baruc.
O Ministério da Saúde orienta a adoção desses hábitos como parte dos cuidados relacionados à depressão e aos transtornos de ansiedade. Para o especialista, há, ainda, um alerta que não deve ser relativizado. “Diante de pensamentos de morte, desejo de desaparecer, automutilação ou intenção de tirar a própria vida, a busca por ajuda profissional deve ser imediata. Nesses casos, não se deve esperar que a situação melhore sozinha nem alterar medicamentos sem orientação. O cuidado precisa ser tratado como prioridade”, ressalta.
Quando há indicação de risco imediato, a orientação é não deixar a pessoa sozinha e buscar atendimento de emergência. No Brasil, é possível procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Em situações de urgência, estão disponíveis as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), os prontos-socorros, os hospitais e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia.
Serviço
Atendimento Psicológico AGES
Paripiranga – (75) 99859-0108 (Av. Universitária, 23 – Parque das Palmeiras, Paripiranga)
Senhor do Bonfim – (75) 99855-0128 (Rua Floriano Peixoto, 63, Senhor do Bonfim)
Jacobina – Agendamento apenas presencialmente (Rua da Conceição, 86, Centro Jacobina)
Sobre a Ages
Há 43 anos, a Ages nasceu com o propósito de levar educação de qualidade ao interior do Nordeste, ampliando as oportunidades para as pessoas da região. Com raízes firmes em Paripiranga (BA), a instituição expandiu sua atuação para os municípios baianos de Jacobina, Irecê e Senhor do Bonfim. Desde 2019, a Ages integra o Ecossistema Ânima, o maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do Brasil. Atualmente, oferece mais de 40 cursos de graduação e pós-graduação. Na área de serviços à comunidade, a instituição se destaca por meio da CliAges, que já realizou mais de 25 mil atendimentos nas áreas de saúde e bem-estar. Reconhecida por sua excelência acadêmica, a Ages recebeu nota máxima do MEC no campus de Paripiranga, que hoje é um Centro Universitário.
Por: Andréa Carvalho