Território Bacia do Jacuípe – Um problema antigo e que parece longe de uma solução definitiva voltou a causar prejuízo para quem vive da criação de animais na zona rural. Desta vez, um ataque de cães resultou na morte de cerca de 37 aves em uma propriedade no município de Quixabeira.
Segundo informações publicadas pelo Blog do Ril de Beto, entre os animais mortos estavam 17 frangos novos e mais de 20 galinhas. A proprietária afirmou que nenhuma das aves que estava no terreiro sobreviveu ao ataque.
“Lembro que tinha 17 franguinhos e mais de 20 galinhas. Não ficou nenhuma viva no terreiro”, relatou a criadora.
O episódio está longe de ser um caso isolado. Em agosto deste ano, também em Quixabeira, outro ataque deixou 11 galinhas mortas e cinco feridas em um sítio às margens da BA-791, próximo ao povoado de Ramal. Na ocasião, o proprietário relatou que dois cães ainda estavam dentro da propriedade quando chegou ao local. Segundo ele, mesmo com cerca de tela reforçada, os animais teriam aberto um buraco por baixo da estrutura para entrar.
Relatos semelhantes vêm sendo registrados em outros municípios da região. No início de setembro, pelo menos cinco caprinos morreram após ataque de cães na Fazenda Lajedo, zona rural de Capim Grosso.
Problema já chegou à Justiça e à Assembleia
A dimensão do problema já provocou ações do poder público. Em julho, a Justiça determinou, a pedido do Ministério Público da Bahia, que o município de Itiúba elaborasse um plano para controle e manejo de cães abandonados. Segundo o MP, investigações apontaram ataques a galinhas, patos, gansos, ovelhas, cabras e até bezerros, com prejuízos significativos para famílias da zona rural.
O assunto também está em discussão na Assembleia Legislativa da Bahia. O Projeto de Lei nº 25.803/2025, apresentado pelo deputado estadual Luciano Araújo, propõe uma política sanitária para controle de cães errantes envolvidos em ataques a caprinos e ovinos. Entre as medidas previstas estão ações de identificação dos animais, controle reprodutivo, campanhas de guarda responsável, canais de denúncia e responsabilização de tutores quando identificados. A consulta ao sistema da AL-BA mostra que a proposta segue em tramitação.
Outra iniciativa apresentada na Assembleia, de autoria do deputado Roberto Carlos, trata especificamente da responsabilização dos tutores de cães que invadam propriedades rurais e provoquem danos a animais de produção, incluindo aves.
Apesar das discussões, projetos e iniciativas de castração, os ataques continuam sendo registrados. Para pequenos produtores, a perda de dezenas de aves ou de animais do rebanho pode representar não apenas prejuízo financeiro, mas também comprometimento de uma fonte de alimentação e renda familiar.
O desafio passa por encontrar uma solução que proteja as criações sem abrir espaço para maus-tratos aos cães. Medidas como castração, identificação dos animais, guarda responsável, recolhimento e manejo adequado de cães abandonados e responsabilização de tutores aparecem entre as alternativas discutidas para enfrentar um problema que continua se repetindo na zona rural baiana.
O governo do estado entregou um castramóvel para o território da Bacia do Jacuípe a fim de diminuir a população canina, mas o projeto não deve ser em curto prazo.
Por Redação CN, com informações do Blog do Ril de Beto, AL-BA e veículos regionais