Bahia

Garçom natural de Queimadas aprende idiomas com turistas de vários países e já se considera um poliglota em Morro de São Paulo

Segundo ele consegue entender bem as palavras em vários indiomas, mas garante que o espanhol, o inglês e o hebraíco dominam melhor

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Foto: Raimundo Mascarenhas

A necessidade de se comunicar com turistas de diferentes nacionalidades transformou a rotina de um garçom natural de Queimadas, município do território do Sisal, em uma experiência de aprendizado que já dura quase 17 anos. Trabalhando em Morro de São Paulo, destino turístico pertencente ao município de Cairu, no baixo sul da Bahia, ele desenvolveu habilidades em idiomas estrangeiros por meio do contato diário com visitantes de várias partes do mundo.

O mais curioso é que Roberlan de Souza Lima, segundo seu próprio relato, ele não possui domínio completo das regras da língua portuguesa, seu idioma de origem, mas consegue compreender e se comunicar em outras línguas, especialmente nas situações relacionadas à profissão. Por isso, já se considera, de maneira descontraída, um poliglota.

Em conversa gravada com o Calila Notícias, o garçom contou que está prestes a completar 17 anos de trabalho na ilha e que o aprendizado acontece naturalmente, a cada novo atendimento. “Cada dia que vai passando, a gente vai aprendendo algo novo”, afirmou.

Foto: Raimundo Mascarenhas

O hebraíco é o idioma com o qual demonstra maior familiaridade, mas garante que. Segundo ele, a comunicação com estrangeiros faz parte da rotina e, mesmo sem formação acadêmica específica, consegue desenvolver conversas e compreender pedidos dos clientes. Questionado o por quê de classificar o hebraíco como o que tem melhor domínio, ele respondeu que durante o mês de fevereiro desembarcam cerca de 5 mil israelitas na ilha.”Não tem como não se familarizar”, brinca.

A experiência adquirida ao longo dos anos também permite que identifique expressões e compreenda situações em outros idiomas, principalmente quando o assunto envolve o atendimento em bares e restaurantes. O espanhol e o inglês que são os mais presentes aqui, também ja consigo desenrolar bem”, garante Roberlan.

Do sertão à ilha turística

A trajetória do queimadense chama atenção pelo contraste entre sua cidade natal, localizada no semiárido baiano, e o ambiente cosmopolita de Morro de São Paulo, conhecido pelas praias e pela presença de visitantes nacionais e internacionais.

Foto: Raimundo Mascarenhas

Foi nesse cenário que o garçom construiu boa parte de sua vida profissional e pessoal. Durante a conversa, ele também falou sobre a família e a convivência com a companheira, com quem mantém um relacionamento de aproximadamente 12 anos.

Apesar de tantos anos distante de Queimadas, ele mantém a ligação com suas origens. A rotina intensa do turismo também exige períodos de descanso, geralmente aproveitados nas épocas de menor movimento e de maior ocorrência de chuvas na região.” O mês de maio, deixo minhas férias e vou pra Queimadas participar da tradicional Lavagem, a principal do calendário anual do nosso município”, revelou.

A experiência como escola

A história mostra como o contato direto com pessoas de diferentes culturas pode proporcionar conhecimentos que vão além da sala de aula.

Sem depender exclusivamente de cursos ou métodos tradicionais de ensino, o garçom encontrou no próprio ambiente de trabalho a oportunidade de desenvolver habilidades de comunicação em outros idiomas.

Embora não seja possível afirmar que tenha fluência em várias línguas, sua experiência demonstra que, pelo menos no universo da gastronomia e do atendimento turístico, as barreiras linguísticas podem ser superadas com convivência, prática e disposição para aprender.

Antes de chegar a Morro de São Paulo ele trabalhou em São Paulo e Feira de Santana

A situação de Roberlan que saiu de Queimadas no início dos anos 2000 não é difrente dos demais conterraneos do município e de toda região sisaleira, em busca de dias melhores. Segundo ele o primeiro destino foi São Paulo onde chegou em 2001 e retornou para a Bahia em 2010. mais precisamente para Feira de Santana, onde trabalhou numa Pizzaria, mas ficou apenas 1 ano e “os proprietários venderam o estabelecimento e me convidaram para ir trabalhar em Morro de São Paulo em um período de verão, o desafio era pra ver se eu ia me adaptar e tudo indica que sim, já estou aqui a quase 17 anos”, afirmou o garçon que é casado há 12 anos, sua esposa ele conheceu em Queimadas, mas ela nasceu em São José do Rio Preto-SP. Ele tem um filho de 17 anos fruto de um primeiro relacionamento.

O queimadense concluiu dizendo que ja teve a satisfação de encontrar muitos conterrâneos, inclusive amigo de infância no Morro de São Paulo.