Citar filósofos, mencionar filmes conhecidos ou recorrer a frases de grandes pensadores são estratégias comuns entre os estudantes que se preparam para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Mas será que essas referências realmente ajudam a conquistar uma boa nota? Com a proximidade da prova, marcada este ano para 8 de novembro, especialistas advertem que o uso de repertórios prontos, sem relação direta com o tema proposto, pode comprometer a qualidade da argumentação e, consequentemente, o desempenho dos candidatos.
Na redação do Enem, os participantes precisam desenvolver um texto dissertativo-argumentativo, apresentando uma tese, argumentos consistentes e uma proposta de intervenção para o problema abordado. Nesse processo, o repertório sociocultural pode contribuir para fortalecer ideias, desde que seja pertinente ao tema, utilizado de maneira produtiva e integrado à linha de raciocínio do texto.
De acordo com Sidinéia Azevedo, professora de Redação do Bernoulli Educação, um dos equívocos mais comum é acreditar que a simples inclusão de uma citação conhecida garante uma boa avaliação. “O repertório precisa fazer sentido dentro da argumentação e contribuir para a defesa do ponto de vista do estudante. Uma referência simples, bem contextualizada e relacionada ao problema discutido, pode ser muito mais eficiente do que uma citação sofisticada utilizada de forma superficial”, explica.
Filmes, séries e músicas também podem ser boas referências
Engana-se quem pensa que um bom repertório precisa, necessariamente, incluir filósofos, sociólogos ou obras clássicas da literatura. Filmes, séries, músicas, acontecimentos históricos e até situações do cotidiano podem servir de base para uma argumentação consistente, desde que sejam utilizados de forma coerente. Uma produção cinematográfica que aborde a desigualdade social, por exemplo, pode ajudar a contextualizar uma discussão sobre exclusão e acesso a direitos. Da mesma forma, uma obra literária que retrate conflitos sociais pode contribuir para a análise de questões contemporâneas.
O importante é que a referência não apareça apenas como uma informação isolada, mas que ajude a explicar ou sustentar o argumento apresentado. Ou seja, deve-se evitar o chamado “repertório de bolso”, que são as referências previamente memorizadas e aplicadas de maneira genérica na redação. Esse tipo de estratégia pode resultar em textos poucos aprofundados, com argumentos previsíveis e conexões frágeis entre as ideias.
Reta final: preparação para a redação
Na reta final de preparação para o Enem, a orientação é investir na prática e no aprimoramento de argumentação. Revisar redações anteriores, considerar as observações dos professores e analisar textos bem avaliados são estratégias que ajudam a identificar pontos de melhoria.
Outra dica é organizar referências culturais por eixos temáticos, como educação, saúde, meio ambiente, tecnologia e direitos humanos, facilitando a associação desses conhecimentos aos assuntos propostos. O mais importante é construir um texto autoral, com ideias bem articuladas e argumentos que sustentem o ponto de vista apresentado.
Por: Danieli Del’ Esposti | ATcom – Estratégia, Relacionamento e Conteúdo
