Política

A dois anos das eleições, prefeito antecipa discussão sobre sucessão em São José do Jacuípe e apresenta três nomes

Movimentação chama atenção pela antecedência. Discussão sobre possível sucessor pode ser estratégia para manter grupo unido e evitar disputas internas às vésperas das convenções de 2028

Grupo no Zap
Peris (de preto) foi eleito em 2020 e reeleito em 2024

Mesmo faltando aproximadamente dois anos para as próximas eleições municipais, previstas para outubro de 2028, a sucessão à Prefeitura de São José do Jacuípe, no território da Bacia do Jacuípe, já começou a movimentar os bastidores políticos.

O prefeito Alberlan Peris Moreira da Cunha, conhecido como Peris Cunha (PP), reuniu integrantes de seu grupo político e apresentou três nomes como possíveis candidatos à sua sucessão, conforme reportagem publicada pelo Blog do Ril de Beto.

A iniciativa chama atenção principalmente pelo momento escolhido. Reeleito em 2024, Peris está na segunda metade de seu mandato e não poderá disputar uma terceira eleição consecutiva para prefeito. Por isso, a escolha de um nome capaz de representar seu grupo em 2028 deverá ganhar importância nos próximos meses.

Embora a apresentação de possíveis sucessores com tanta antecedência possa parecer precipitada, existe outra interpretação nos bastidores políticos: antecipar o debate pode ser uma maneira de administrar interesses, preservar alianças e evitar que eventuais divergências se transformem em rompimentos quando a eleição estiver mais próxima.

Antecipar pode ser melhor do que deixar para a última hora?

Em disputas municipais, a definição do candidato governista costuma envolver diferentes interesses, principalmente quando existem várias lideranças com pretensões de disputar a prefeitura.

Uma das interpretações possíveis para a iniciativa de Peris é que, ao apresentar três alternativas desde agora, o prefeito abre espaço para que os interessados sejam avaliados politicamente e para que o grupo participe das discussões antes de uma decisão definitiva.

Por outro lado, a exposição antecipada de possíveis candidatos também pode estimular disputas internas, especialmente se cada um começar a construir seu próprio grupo de apoiadores.

O desafio do prefeito será administrar essas pretensões sem comprometer a unidade da base governista.

A estratégia de deixar a escolha para os meses que antecedem as convenções partidárias, geralmente realizadas entre julho e agosto do ano eleitoral, também apresenta riscos. Nesse período, o tempo para superar divergências, recompor alianças e reunir antigos adversários internos em torno de uma candidatura costuma ser mais limitado.

Histórico de rompimento político

A preocupação com a unidade do grupo não seria novidade na política de São José do Jacuípe. Nas eleições de 2024, o então vice-prefeito Robson Vilas Boas rompeu com a administração de Peris e passou a integrar a oposição, disputando a prefeitura pelo Avante.

Apesar do rompimento, Peris conseguiu a reeleição com 4.647 votos, equivalentes a 65,82% dos votos válidos.

O episódio mostra que divergências dentro de um mesmo grupo político podem resultar em candidaturas adversárias, situação que o atual prefeito poderá procurar evitar no processo de escolha de seu sucessor.

Por enquanto, a apresentação de três nomes não significa que exista uma candidatura definida. Até 2028, o cenário poderá sofrer alterações, tanto dentro da base governista quanto entre os grupos de oposição.

O fato é que, ao colocar a sucessão na pauta ainda em 2026, Peris antecipa uma discussão que, em muitos municípios, costuma ganhar força somente no ano eleitoral.

A questão que fica é se a antecipação contribuirá para manter o grupo unido ou se a disputa pela preferência do prefeito poderá provocar justamente o efeito contrário.

Calila Notícias – com informações do Blog do Ril de Beto