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Governador do Amazonas foi acusado de pedir apoio a facção para se reeleger

Os diálogos foram divulgados, à época, pela revista Veja e pelo jornal Folha de S. Paulo.

Grupo no Zap

Uma das facções envolvidas no massacre que deixou 60 mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus (AM), tinha envolvimento com o governador do estado, José Melo (Pros).

Durante a campanha eleitoral em 2014, vieram à tona gravações em áudio de conversas entre o então subsecretário de Justiça do Amazonas, major Carliomar Barros Brandão, e o traficante José Roberto Fernandes Barbosa, um dos líderes da facção. Os diálogos foram divulgados, à época, pela revista Veja e pelo jornal Folha de S. Paulo.

Na gravação, o traficante promete até cem mil votos a Melo, pedindo em contrapartida que ele não “venha a prejudicar” o grupo. O subsecretário afirma em resposta que “ninguém vai mexer” com os integrantes. “Vamos apoiar o Melo, entendeu… a cadeia… vamos votar minha família toda, lá da rua, entendeu? […] A gente quer dar um alô, que ele não venha prejudicar nós [sic]… e nem mexer com nós [sic]”, diz Barbosa.

O subsecretário responde que “ele não vai, não [prejudicar]”, dizia o traficante. “A mensagem que ele (governador) mandou pra vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês, não”, respondeu o major Carliomar. O traficante quer garantir que os membros da facção não sejam mortos. “As detenções por porte de drogas, porém, poderiam continuar sendo realizadas”, diz Barbosa, sem prometer, no entanto, o fim das fugas.

“Nós não tem [sic] como estar impedindo isso aí, se der toca, os caras vão fugir”. A intenção do traficante é conseguir os fotos dando ordens aos parentes dos detentos. “O que que a gente quer do Melo? Que a polícia faça o trabalho dela, se prender um de nós com droga, vai prender, a gente vai respeitar. A gente não quer que fique matando, porque se matar e a gente começar a matar também. Os caras pensa que nós não tem, nós tem tudo, nós tem dinheiro, nós tem arma, tem tudo (…) [sic]. O recado que eu quero que o senhor leve pra ele… de nós, é que nós vamos apoiar ele [sic]”, afirma. O major devolve afirmando que o que “ele quer é a paz na cadeia”.

Agência Brasil