Política

Cotado para Esplanada, Rui Costa pode ser o primeiro senador baiano a se licenciar para virar ministro desde 1998; confira histórico

O último senador a pedir afastamento temporário do cargo para ir à Esplanada dos Ministérios foi Waldeck Ornelas (PFL), eleito em 1994. Em 1998, ele se licenciou para assumir o Ministério da Previdência e Assistência Social no governo Fernando Henrique Cardoso

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Foto: Ricardo Stuckert / PR

Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador eleito Rui Costa (PT) é cotado para voltar a um ministério no quarto mandato do petista. Se isso acontecer, ele será o primeiro senador da Bahia em 28 anos a se licenciar do mandato para assumir um ministério.

A definição dos ministros do próximo governo deve ficar para depois da viagem de Lula à Ásia. Já o nome do senador Jaques Wagner (PT), reeleito em outubro, não aparece entre os mais cotados. Segundo interlocutores do PT baiano ouvidos pelo Bahia Notícias,site parceiro do Calila, o motivo é o desgaste da imagem do senador no caso do Banco Master.

O último senador a pedir afastamento temporário do cargo para ir à Esplanada dos Ministérios foi Waldeck Ornelas (PFL), eleito em 1994. Em 1998, ele se licenciou para assumir o Ministério da Previdência e Assistência Social no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), onde ficou até fevereiro de 2001. Nesse período, o suplente Djalma Bessa exerceu o mandato no Senado. Desde então, segundo levantamento do Bahia Notícias, apenas três suplentes assumiram uma cadeira baiana no Senado, e nenhum deles por causa da ida do titular para um ministério.

A primeira troca no período aconteceu em 2003. Paulo Souto (PFL), eleito senador em 1998, venceu a eleição para o governo da Bahia em 2002 e deixou a cadeira, que passou ao suplente Rodolpho Tourinho.

A segunda foi em 2007, com a morte do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), eleito em 2002. O filho e primeiro suplente, ACM Júnior, assumiu a vaga e ficou até o fim do mandato.

A terceira mudança ocorreu em 2016. Walter Pinheiro, então no PT, eleito em 2010 junto com Lídice da Mata (PSB), se licenciou para assumir a Secretaria da Educação da Bahia no governo de Rui Costa. O primeiro suplente, Roberto Muniz (PP), tomou posse em junho de 2016 e ficou no cargo até abril de 2018, quando Walter Pinheiro voltou para o fim do mandato.

O único ex-senador baiano a virar ministro no período foi César Borges, que comandou o Ministério dos Transportes no governo Dilma Rousseff (PT) em 2013, quando já não tinha mais mandato no Senado.

Os dois senadores eleitos pela Bahia em outubro já foram ministros, mas antes de chegar ao Senado. Jaques Wagner comandou cinco pastas. No governo Lula, como deputado federal licenciado, foi ministro do Trabalho e Emprego, de 2003 a 2004, da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, de 2004 a 2005, e das Relações Institucionais, de 2005 a 2006, quando saiu para disputar e vencer a eleição para o governo da Bahia.

No governo Dilma, depois de dois mandatos como governador, foi ministro da Defesa, de janeiro a outubro de 2015, e da Casa Civil, de outubro de 2015 até o afastamento da presidente, em maio de 2016. Wagner só chegou ao Senado em 2019 e, desde então, não deixou o mandato para ocupar cargo no Executivo.

Rui Costa, que vai começar o primeiro mandato de senador em 2027, foi ministro da Casa Civil do governo Lula de 2023 a 2026.

Os demais senadores baianos do período, João Durval, Lídice da Mata, Otto Alencar e Angelo Coronel, não ocuparam ministérios. Antes desse intervalo, Antonio Carlos Magalhães foi ministro das Comunicações no governo de José Sarney, de 1985 a 1990, antes de se eleger senador.

CN | Bahia Notícias