Bahia

“A luta contra a corrupção não tem trégua, mas o MP não pode desistir dela”. Roberto Gurgel

A impunidade, entretanto, continua sendo a regra. Do conjunto de presos no Brasil, apenas 0,01% foram condenados por desvios de recursos públicos.

gurgel-1“A corrupção é praga que infesta a sociedade desde os tempos mais remotos, e parece cada vez mais forte e resistente às medidas de profilaxia”. O alerta foi feito pelo ex-procurador-geral da República Roberto Gurgel na conferência magna de abertura do ‘XII Congresso do Ministério Público do Estado da Bahia’, na noite de quarta-feira (02), em Salvador. Figura emblemática no processo conhecido como “mensalão”, Gurgel falou sobre ‘O Ministério Público e o combate à corrupção’. Ele apontou que o prejuízo da corrupção para o país é estimado em R$ 85 bilhões anuais. “O uso ilegal do dinheiro público reduz significativamente o nível de investimentos no país e tem impactos negativos sobre educação, saúde e outros itens ligados ao desenvolvimento humano e social”, afirmou.

gurgel 2A impunidade, entretanto, continua sendo a regra. Do conjunto de presos no Brasil, apenas 0,01% foram condenados por desvios de recursos públicos. “O dinheiro desviado da corrupção é retirado do atendimento dos direitos fundamentais das parcelas mais carentes da população, de áreas como educação, saúde e saneamento básico”, disse ele, lembrando que é o Ministério Público, sem dúvida, o maior instrumento de efetividade destes direitos. A luta contra a corrupção não tem trégua e o exercício da missão constitucional do Ministério Público não é fácil, pontuou Gurgel, mas “é preciso não desanimar jamais e prosseguir lutando, acreditando que o Ministério Público não é simples meio de vida, mas uma sublime missão de defender a sociedade”. “O Ministério Público nunca desiste nem desanima e jamais se intimida”, concluiu ele.

mpEm seu pronunciamento na abertura do congresso, o chefe do MP baiano, procurador-geral de Justiça Márcio Fahel, frisou que o Ministério Público precisa, em sua dinâmica e filosofia, estar sempre se renovando e acompanhando os anseios da sociedade. “A democracia está sempre em aperfeiçoamento”, afirmou ele, explicando que antes o próprio pensamento sobre democracia era o de que ela representava o pensamento da maioria. “Hoje sabemos que a democracia é, sobretudo, a defesa dos interesses das minorias”, concluiu Márcio Fahel, afirmando que “não podemos ficar engessados defendendo ideias retrógradas”.

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“O distanciamento da sociedade não faz bem ao Ministério Público. Não podemos jamais deixar de lado o diálogo com a sociedade brasileira”, afirmou o presidente da Associação do Ministério Público da Bahia (Ampeb), promotor de Justiça Alexandre Cruz. Organizador do evento, ele lembrou que no processo eleitoral para procurador-geral de Justiça da Bahia neste ano, a sociedade foi ouvida e o MP foi o maior vencedor. Desejando sorte ao novo PGJ, ele disse que Márcio Fahel tem trazido novo ânimo ao Ministério Público baiano e “a Ampeb sente-se completamente acolhida por sua gestão”.

Empossada recentemente, a presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), promotora de Justiça baiana Norma Angélica Cavalcanti, afirmou que “o trabalho de nossa instituição é uma construção coletiva”. Ela lembrou as recentes tentativas de diminuir a força da Instituição, mas concluiu dizendo que “o Ministério Público resistirá a qualquer ato que tente diminuir as suas prerrogativas”. Também participaram do evento o procurador-geral do Estado, Rui Moraes Cruz, representando o governador Jaques Wagner; o prefeito ACM Neto; conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) Marcelo Ferra; o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Inaldo Paixão Araújo; a defensora pública-geral Vitória Bandeira; o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Bahia (OAB-BA), Luiz Viana; e o procurador da Justiça Militar Samuel Pereira, dentre outras autoridades, procuradores e promotores de Justiça.

 Redação MP-BA/ Fotos: Humberto Filho