O forró perdeu na última segunda-feira, 31 de agosto, uma voz que fez parte da história de algumas das bandas mais conhecidas do gênero. Morreu, aos 55 anos, o cantor Rogério Valença, ex-vocalista da Calcinha Preta e que atualmente integrava a banda Raio da Silibrina.
Rogério morreu em Aracaju, capital sergipana, onde residia. A informação foi confirmada pela Raio da Silibrina, grupo do qual o artista também foi um dos fundadores. A causa da morte não havia sido divulgada até a publicação desta reportagem.
Natural de Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, Rogério construiu uma longa trajetória no forró e ganhou maior projeção nacional ao integrar a Calcinha Preta no fim da década de 1990.
Há divergência nos registros sobre o ano exato de sua chegada ao grupo, com algumas fontes apontando 1998 e outras 1999. Rogério permaneceu até 2000 e participou de uma fase importante para a consolidação da Calcinha Preta no cenário do forró eletrônico.
Naquele período, dividiu os vocais com nomes que marcaram a história da banda, entre eles Daniel Diau, Paulinha Abelha, Jennifer Martins e Malba Martins. Rogério participou das gravações dos volumes 5 e 6 da Calcinha Preta e teve sua voz associada a músicas como “Eterno Amor”, “Louca por Você” e “Me Leva”.
Depois da passagem pela Calcinha Preta, o pernambucano continuou atuando profissionalmente no forró. Ao longo da carreira, passou por grupos como Caviar com Rapadura, Mulheres Perdidas e Moçada é Só o Filé, além de manter uma ligação especial com a Raio da Silibrina.
Nos últimos anos, Rogério voltou a se apresentar com a Raio da Silibrina e continuava subindo aos palcos mesmo enfrentando problemas de saúde.
Veja um video antigo do cantor em um show
Tratamento de saúde
Antes de morrer, Rogério havia tornado público que realizava hemodiálise, procedimento utilizado por pacientes cujos rins não conseguem desempenhar adequadamente a função de filtrar o sangue.
Em agosto, pessoas ligadas ao projeto Os Atemporais chegaram a informar que o cantor se preparava para realizar um transplante renal em São Paulo.
Apesar disso, não há confirmação de que o problema renal tenha provocado a morte. Por esse motivo, não é possível estabelecer relação entre o tratamento e o falecimento enquanto a família ou responsáveis não divulgarem oficialmente a causa.
A cantora Andrea Alves, que dividiu o palco com Rogério, lamentou a perda nas redes sociais e revelou que pessoas próximas sabiam que ele estava doente e debilitado. Ela definiu o cantor como amigo e parceiro.
Último show em sua terra natal
Mesmo morando em Aracaju, Rogério Valença manteve forte ligação com Garanhuns. Um dos momentos recentes mais simbólicos de sua carreira aconteceu justamente poucos meses antes de sua morte.
Em julho deste ano, ele voltou a cantar em sua cidade natal durante o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). A apresentação acabou se tornando seu último encontro com o público da cidade onde iniciou sua trajetória musical.
O velório acontece nesta terça-feira (1º), no PIAF, na Rua Laranjeiras, Centro de Aracaju. Há também informação de que o corpo deverá ser trasladado para Garanhuns, onde está previsto o sepultamento.
A Raio da Silibrina publicou uma mensagem de despedida destacando a importância de Rogério para a história do grupo e as lembranças deixadas pelo cantor.
A morte de Rogério Valença repercutiu principalmente entre músicos e admiradores do forró. Além da carreira construída ao longo de décadas, sua passagem pela Calcinha Preta o colocou ao lado de artistas que se tornaram referências do gênero, a exemplo de Paulinha Abelha, que morreu em fevereiro de 2022, aos 43 anos.
O forro perde o segundo vocalista considerado pioneiro do forró eletrônico nacional em menos dois meses. Em 2 de julho faleceu Neto Araujo, ex-vocalista de Cavalheiros do Forró



