Quando um médico decide disputar um cargo eletivo, é natural que muitos eleitores criem a expectativa de que a saúde pública será uma das áreas mais fortalecidas de sua gestão. Afinal, trata-se de um profissional que conhece de perto os desafios enfrentados pela população e pelo sistema de atendimento.
Em Santaluz, no território do sisal, entanto, os números mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde caminham na direção oposta dessa expectativa. O município, administrado por um médico, aparece com o pior desempenho da Atenção Primária à Saúde (APS) entre os 20 municípios do Território do Sisal, cenário que inevitavelmente faz lembrar o conhecido ditado popular: “em casa de ferreiro, espeto de pau”, na gestão de Dr. Arismário.
Os dados foram atualizados pelo Ministério da Saúde neste mês de julho e levam em consideração o desempenho das equipes de Atenção Primária durante os quatro primeiros meses de 2026. O levantamento integra o ranking de cofinanciamento federal, ferramenta utilizada pelo Governo Federal para avaliar a qualidade dos serviços prestados na atenção básica em todo o país.
O resultado coloca Santaluz na 20ª e última colocação entre os municípios do Território do Sisal, além da 355ª posição entre os 417 municípios da Bahia, evidenciando um dos piores desempenhos do estado na área da saúde básica.
O ranking é elaborado com base em 15 indicadores de desempenho, distribuídos entre as equipes de Saúde da Família, Saúde Bucal e Equipes Multiprofissionais. Segundo o Ministério da Saúde, esses indicadores avaliam aspectos como o acesso da população aos serviços, acompanhamento de gestantes, vacinação infantil, controle de doenças crônicas, atendimento a idosos e outras ações consideradas fundamentais na Atenção Primária.
Na outra extremidade da lista regional está São Domingos, que alcançou o melhor desempenho entre os municípios do Território do Sisal e aparece na 13ª colocação estadual. No ranking geral da Bahia, Lapão lidera a classificação, seguido por Ibititá e Dom Basílio.
O levantamento mostra que apenas quatro municípios do Território do Sisal figuram entre os 150 melhores colocados da Bahia: São Domingos, Barrocas, Cansanção e Ichu. Já Santaluz, Queimadas, Teofilândia, Serrinha e Quijingue ocupam as últimas posições da região.
Ranking da Atenção Primária à Saúde no Território do Sisal
| Posição | Município | Colocação na Bahia |
|---|---|---|
| 1º | São Domingos | 13º |
| 2º | Barrocas | 78º |
| 3º | Cansanção | 108º |
| 4º | Ichu | 133º |
| 5º | Nordestina | 143º |
| 6º | Biritinga | 155º |
| 7º | Valente | 156º |
| 8º | Monte Santo | 158º |
| 9º | Retirolândia | 159º |
| 10º | Candeal | 184º |
| 11º | Tucano | 203º |
| 12º | Araci | 205º ¹ |
| 13º | Itiúba | 212º |
| 14º | Conceição do Coité | 221º |
| 15º | Lamarão | 278º |
| 16º | Quijingue | 299º |
| 17º | Serrinha | 315º |
| 18º | Teofilândia | 334º |
| 19º | Queimadas | 335º |
| 20º | Santaluz | 355º |
A classificação da Atenção Primária à Saúde tem impacto direto no cofinanciamento federal destinado aos municípios, funcionando como um dos principais instrumentos de avaliação da eficiência das equipes responsáveis pelo atendimento básico à população. Embora o ranking não represente sozinho toda a realidade da saúde pública municipal, ele é considerado um importante indicador da qualidade dos serviços ofertados e do cumprimento das metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
Redação CN * colaborou Região em Pauta


