Bahia

Hospital devolve dinheiro à família que pagou parto realizado pelo SUS

Médico cobrou dois salários mínimos para realizar parto em Itabuna. Direção da unidade de saúde diz que profissional será advertido.

Grupo no Zap

100_8597 (1)A família que pagou dois salários mínimos a um médico para que fosse realizado um parto pelo SUS na cidade de Itabuna, no sul da Bahia, recebeu o dinheiro de volta na manhã desta quarta-feira (7).

“Fui lá buscar minha esposa, passei na sala do diretor e peguei o dinheiro. [A direção] viu que o médico errou”, afirma Luís Henrique Espírito Santo, pai da criança.

O bebê nasceu na noite de segunda-feira (5) na Maternidade Ester Gomes, de uma cirurgia cesariana. Ele passa bem e foi nesta quarta-feira para casa. O G1 procurou o médico responsável pelo procedimento. Por telefone, ele informou que prefere não comentar o assunto.

De acordo com Leopoldo dos Anjos, diretor administrativo da maternidade, o médico responsável será advertido. “Acho que a família ficou agoniada porque o trabalho de parto é complicado e, então, procuraram o médico. Já entrei em contato com ele [o médico] e vou fazer uma advertância para que isso não aconteça mais”.

Caso
Luís Henrique conta que após a esposa esperar muito para ser atendida, questionou quanto seria o parto e o médico deu o valor de dois salários mínimos. “Eu levei a minha esposa no sábado (3) e ele [médico] mandou voltar no domingo (4). No domingo, ela foi de novo, passou a madrugada e nada de ter o neném. Quando chegou na segunda-feira à tarde, ela falou comigo e disse que não estava aguentando mais. Eu fui na recepção e pedi para a mulher perguntar ao médico o valor pra fazer o parto. Ele disse que, se eu pagasse dois salários [mínimos], faria”, conta o pai da criança.

Luís Henrique aponta que, então, decidiu pedir o dinheiro emprestado ao pai para pagar o médico. “Minha irmã trouxe o dinheiro e ele fez o parto. Só que o gerente [da maternidade] descobriu e disse que o médico errou. Disse que, se ela estava internada pelo SUS, como é que ele vai cobrar?”, acrescenta.

De acordo com Leopoldo dos Anjos, o parto pago, feito pelo médico, não foi autorizado pela unidade. “Médico nenhum tem esse orientação. Isso foi um acerto entre o esposo e o médico. Quando eu soube dessa história, soube através da imprensa e tomei as providências. O hospital não ficou com nenhum centavo”, afirma.

A maternidade atende a cerca de 120 municípios da região e realiza mais de 450 partos por mês, informa o diretor.

Com informações do G1 BA*