Conceição do Coité está avançando para resolver um problema histórico: a destinação adequada dos resíduos sólidos produzidos no município. A Prefeitura está estruturando um novo modelo de gestão ambiental, com a implantação de uma Unidade de Tratamento Mecanizado de Resíduos Sólidos Urbanos, aterro de rejeitos ambientalmente adequado, fortalecimento da coleta seletiva, instalação de ecopontos e ações de inclusão produtiva para catadores e profissionais da reciclagem.
A iniciativa representa um marco para o futuro ambiental de Coité. Depois de anos convivendo com um modelo inadequado de descarte, o município se prepara para tratar o lixo de forma moderna, sustentável e alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos.
O projeto conta com suporte técnico-científico da FUNDUNESP, fundação de apoio vinculada à Universidade Estadual Paulista, a UNESP, uma das principais universidades da América Latina. O apoio técnico garante mais segurança ao planejamento, ao licenciamento ambiental, à estrutura operacional e ao futuro modelo de funcionamento do sistema.
Na prática, a nova unidade vai permitir que os resíduos coletados diariamente em Coité passem por processos de triagem, separação e tratamento. Materiais recicláveis poderão ser reaproveitados, resíduos orgânicos seguirão para compostagem e apenas os rejeitos finais, estimados em cerca de 15% do total recebido, serão destinados ao aterro adequado.

Atualmente, Conceição do Coité gera cerca de 64,5 toneladas de resíduos por dia, o equivalente a aproximadamente 23,5 mil toneladas por ano. A nova estrutura está sendo projetada para operar com capacidade entre 80 e 85 toneladas diárias, já considerando o crescimento do município nos próximos anos.
O prefeito Marcelo Araújo destacou que o projeto vai além da limpeza urbana e representa um investimento em saúde pública, meio ambiente e qualidade de vida.
“Estamos construindo um novo modelo de gestão ambiental para Conceição do Coité, com responsabilidade, planejamento e visão de futuro. Esse projeto não trata apenas do lixo, mas da saúde pública, da preservação ambiental, da geração de oportunidades e da qualidade de vida da nossa população. É um investimento estruturante que prepara o município para as próximas décadas”, afirmou o prefeito.
Marcelo também ressaltou que a gestão busca transformar um problema antigo em uma solução definitiva e sustentável.
“Nosso objetivo é transformar um problema histórico em uma solução moderna, eficiente e sustentável. Estamos buscando tecnologia, conhecimento técnico e responsabilidade ambiental para garantir que Conceição do Coité avance de forma organizada, respeitando o meio ambiente e promovendo desenvolvimento social”, completou.
Além dos ganhos ambientais, o projeto também terá impacto social. A proposta prevê melhores condições de trabalho para catadores e profissionais da reciclagem, com possibilidade de organização produtiva, capacitação, fortalecimento de cooperativas e geração de emprego e renda.

O professor Sergio Silva Braga Junior, pesquisador da área de resíduos sólidos desde 2007, destacou a importância da iniciativa para colocar Coité em um novo patamar.
“Como pesquisador, trabalho com resíduos desde 2007 e, para mim, participar da construção de um projeto destes do zero e ver a disposição da gestão em levar uma solução definitiva, que vai além de um mandato, é muito gratificante. Coité está sendo colocada em uma condição de destaque no tratamento de resíduos sólidos urbanos no Brasil e isso nos deixa muito felizes”, afirmou.
Segundo o professor, a população também deverá perceber mudanças práticas na rotina da cidade.
“A rotina da coleta de lixo será modificada, porque passará a existir coleta seletiva. Outro ponto importante será a implantação de ecopontos espalhados pela cidade. Visualmente, quando se trata de resíduos, Coité tende a ficar mais limpa e organizada. Além disso, não teremos mais pessoas vivendo da coleta de recicláveis em condições precárias; elas passarão a ter trabalho formal, o que significa inclusão social”, completou.
O engenheiro sanitarista e ambiental Hugo Araújo Silva também reforçou que o projeto une responsabilidade ambiental e dignidade social.
“O projeto da unidade de tratamento de resíduos para Coité terá grande impacto, não apenas ambiental, mas também social. Vamos conseguir eliminar diversos agravos ambientais e também trazer dignidade para quem trabalha com coleta de recicláveis. O projeto representa mais segurança, qualidade de vida e geração de emprego para o nosso povo”, destacou.
Entre os principais benefícios esperados estão a redução da contaminação do solo, diminuição da geração de chorume, redução da emissão de gases de efeito estufa, aumento da vida útil do aterro, melhoria da limpeza urbana, coleta seletiva estruturada e destinação correta dos resíduos.
O projeto está em fase de estruturação técnica, jurídica e operacional. Após a conclusão dos estudos e das etapas de licenciamento ambiental, os próximos passos serão os procedimentos de contratação, implantação da unidade, fase de testes e início da operação assistida.
Com essa iniciativa, Conceição do Coité se prepara para virar uma página importante da sua história ambiental, deixando para trás um modelo ultrapassado de descarte e avançando para uma política pública moderna, fiscalizável, sustentável e socialmente responsável.
CN | Fonte: Secom


