O cheiro de fumaça, as fogueiras acesas e o colorido dos fogos de artifício fazem parte da tradição do São João na Bahia. No entanto, os mesmos elementos que ajudam a compor o clima festivo também contribuem para o aumento dos casos de queimaduras nesta época do ano. Especialistas alertam que saber como agir nos primeiros minutos após o acidente pode fazer a diferença na recuperação da vítima e reduzir o risco de sequelas.
As queimaduras podem ocorrer por contato direto com as fogueiras, explosão de fogos de artifício, líquidos e alimentos servidos em altas temperaturas, além de acidentes domésticos durante o preparo das comidas típicas. Crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis.
De acordo com o enfermeiro sanitarista Carlos Eduardo Moreira Soares, coordenador dos cursos de Enfermagem e Fisioterapia da Ages de Jacobina, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, a primeira providência após uma queimadura é afastar a vítima da fonte de calor e resfriar a área atingida com água corrente em temperatura ambiente (ou fresca, nunca gelada) por aproximadamente 20 minutos.
“As evidências mais recentes recomendam irrigação da queimadura, preferencialmente, nas primeiras 3 horas após o acidente, pois reduz a profundidade da lesão e melhora o prognóstico. Em seguida, o local deve ser protegido com um pano limpo ou gaze até a avaliação por um profissional de saúde”, ressalta.
Para o especialista, um dos erros mais comuns é recorrer a receitas caseiras, como passar manteiga, pasta de dente, café ou óleo sobre a queimadura. “Essas substâncias podem agravar a lesão e aumentar o risco de infecção. O mais importante é resfriar a região com água corrente em temperatura ambiente e procurar orientação médica quando necessário. Também não se deve aplicar gelo diretamente sobre a queimadura, pois isso pode agravar a lesão dos tecidos”, explica.
O enfermeiro acrescenta: “Caso a queimadura envolva anéis, pulseiras, relógios ou roupas apertadas, esses objetos devem ser removidos cuidadosamente o mais rápido possível, antes que o inchaço dificulte a retirada. Entretanto, roupas aderidas à pele não devem ser removidas à força”.
Quando procurar atendimento médico?
Queimaduras superficiais e de pequena extensão podem ser avaliadas inicialmente em unidades básicas de saúde, que realizarão a classificação do risco e o encaminhamento quando necessário a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou hospital.
Segundo o médico Fellipe Brasil, docente do curso de Medicina da Ages, integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação que reúne 15 escolas médicas em diferentes regiões do país; entre os sinais de alerta estão queimaduras com formação de bolhas, especialmente quando acometem áreas extensas ou regiões sensíveis do corpo. “É recomendado procurar assistência médica quando a extensão da queimadura for maior do que a palma da mão da vítima, houver dor intensa, sinais de infecção, febre ou dificuldade para respirar após exposição à fumaça”.
Vale ressaltar que queimaduras aparentemente pequenas podem esconder lesões mais profundas. A avaliação médica é fundamental principalmente quando a vítima é uma criança, um idoso ou uma pessoa com doenças crônicas. Além disso, queimaduras que apresentem áreas esbranquiçadas, enegrecidas ou com perda de sensibilidade podem indicar lesões mais profundas e exigem avaliação médica urgente.
Fellipe Brasil também alerta que, dependendo da profundidade da queimadura e do histórico vacinal da vítima, pode ser necessária a atualização da vacinação contra o tétano durante o atendimento.
Em queimaduras provocadas por substâncias químicas, a recomendação é remover roupas contaminadas e irrigar abundantemente a região atingida com água corrente até a chegada ao serviço de saúde.
Outro ponto de atenção destacado pelo médico são os casos de exposição à fumaça. “Rouquidão, tosse persistente, queimaduras na face, pelos nasais chamuscados ou dificuldade respiratória podem indicar lesão das vias aéreas e exigem avaliação médica imediata”.
Prevenção é a melhor estratégia
Durante os festejos juninos, a recomendação é manter crianças sempre supervisionadas próximo a fogueiras, evitar soltar fogos de artifício sem os cuidados adequados e manter uma distância segura em relação às áreas de queima. Também é importante utilizar roupas que não sejam excessivamente inflamáveis e manter recipientes com líquidos quentes fora do alcance dos pequenos.
Nos acidentes com fogos de artifício, o médico ressalta que não se deve tentar reacender artefatos que falharam nem manipular resíduos explosivos próximos à vítima. “Lesões causadas por explosões podem estar associadas a traumas oculares, amputações e ferimentos mais graves, exigindo atendimento médico imediato”.
Na Bahia, onde o São João movimenta milhares de pessoas em celebrações espalhadas pela capital e pelo interior, os cuidados devem ser redobrados para que a festa seja marcada apenas pelas tradições culturais e pela confraternização entre familiares e amigos.
Por: Andrea Castro | Ascom Ages


